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Um
estudo da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP investigou os
efeitos da fonte proteica nos ganhos de massa e força muscular ao comparar
veganos e onívoros que realizam treinamento de resistência. A pesquisa buscou
entender se a fonte proteica faz diferença nas alterações do músculo, nesse
contexto. A conclusão é que a dieta vegana não perde para a onívora e, desde
que o aporte proteico seja adequado, os efeitos de ganho de massa e força
muscular são os mesmos nas duas dietas.
A
dieta vegana é aquela em que o indivíduo se abstém do consumo de qualquer
alimento de origem animal. Já pessoas que seguem dieta onívora consomem todos
os tipos de alimento, incluindo carnes.
O
artigo High Protein Plant Based Diet
Versus a Protein Matched Omnivorous Diet to Support Resistance Training
Adaptations: A Comparison Between Habitual Vegans and Omnivore é resultado do
trabalho do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição. A maioria das
proteínas de origem vegetal é deficiente em algum aminoácido essencial — aquele
que não é produzido pelo corpo e precisamos obter por meio da alimentação — de
tal forma que se convencionou chamá-las de proteínas de baixo valor biológico.
Por essa razão, há uma intensa discussão sobre o fato de a dieta vegana ser
realmente positiva para o ser humano.
“Essa questão sobre a qualidade
da proteína vinha sendo muito discutida sob o ponto de vista mecanístico, mas
não sob o aspecto clínico”, explica o professor Hamilton Roschel, um dos autores
do estudo, ao Jornal da USP.
Muitos estudos mecanísticos (que analisam a resposta anabólica do músculo de
forma aguda e em condição laboratorial) haviam sugerido que, em quantidades
iguais, a proteína animal seria mais potente para ganho muscular do que a
vegetal. Olhando clinicamente para o fenômeno, a pesquisa mostrou que não há
diferença, o ganho é o mesmo independente da fonte, uma vez que o aporte
proteico seja atendido.
Os testes
Para indivíduos engajados em
programas de exercícios, a necessidade de proteína na dieta é aumentada. Então,
os participantes, tanto onívoros quanto veganos, tiveram complementação
proteica na dieta por meio de suplementos. Para os primeiros, com proteína
isolada de soro de leite e, para os segundos, com proteína isolada de soja.
Para fins de experimentação, a complementação da dieta via alimentação seria
inviável por sofrer variações diárias.
A suplementação foi necessária
também para equiparar o consumo proteico entre os grupos. “A ideia era comparar
o efeito da fonte proteica nos ganhos musculares em condições de igualdade.
Para tal, ambos os grupos deveriam consumir quantidades de proteína suficientes
na dieta, distinguindo-se, apenas, a fonte”, conta Roschel.
Todos os dias, os participantes
ingeriam 1,6 grama de proteína por quilo (kg) de peso. Ou seja, se a pessoa
pesa 100 kg, ela precisaria consumir 160 gramas de proteína, por dia. No total,
38 homens jovens fizeram parte da pesquisa, sendo 19 veganos e 19 onívoros. O
programa de treinamento de força (comumente chamado de musculação) foi
supervisionado para garantir que todos fizessem a mesma coisa. O treino foi
feito ao longo de três meses, duas vezes por semana.
Para a análise dos resultados musculares, foram feitas avaliações tanto macro quanto microscópicas. A massa magra — tudo aquilo que não é gordura e osso — foi medida, no nível macroscópico.
Foi
avaliada também a área de secção muscular, o que permite observar o músculo
diretamente. Por último, foi feita a biópsia muscular, em que pedaços do
músculo equivalentes ao tamanho de um grão de arroz são retirados dos
participantes. Esses pedaços foram observados microscopicamente e áreas das
fibras musculares foram analisadas, antes e depois da intervenção. “Portanto, a
análise foi feita partindo do macro e chegando ao micro, antes e depois da
intervenção”, explica o professor.
Os
resultados mostraram que, para indivíduos que têm aporte proteico adequado,
tanto faz a fonte. Os efeitos no ganho de massa e força muscular são os mesmos.
O grande desafio é atingir a demanda proteica exigida apenas com alimentos da
dieta vegana, o que não é simples.
No
estudo, os indivíduos onívoros consumiam aproximadamente 80% das proteínas de
origem animal. Para os veganos, é claro
que 100% delas vêm do consumo de vegetais.
“É
um pouco mais difícil atingir um consumo proteico elevado só com alimentos em
uma dieta vegana, por isso, as pessoas precisam de acompanhamento de um
nutricionista para traçar estratégias a fim de atingir o necessário”, conclui
Roschel.
O
trabalho faz parte do mestrado da pesquisadora Victoria Hevia-Larrain,
integrante do grupo de pesquisa, e teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo (Fapesp).
Mais
informações: e-mail hars@usp.br, com Hamilton Roschel
Jornal da USP - por Beatriz Azevedo
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