Medidas simples podem reduzir os riscos e proporcionar mais segurança à população idosa
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Idosos acabam sendo mais suscetíveis a quedas por uma série de fatores, como a perda de massa muscular. As consequências decorrentes desses tipos de acidente têm grande impacto na qualidade de vida do idoso, pois podem levar à restrição da mobilidade, incapacidade funcional, isolamento social, insegurança, medo de cair e ocorrência de novas quedas.
A queda de idosos tem causas diversas, como histórico prévio; polifarmácia, principalmente o uso de drogas psicoativas, vasodilatadores e diuréticos; condições crônicas de saúde com descompensação clínica; distúrbios da marcha e equilíbrio; sedentarismo e piora da capacidade funcional; deficiência visual ou declínio cognitivo. Também pode estar relacionada a fatores do ambiente, como iluminação; superfícies escorregadias; tapetes, desníveis e obstáculos no caminho, além de roupas ou calçados inadequados.
Poliana Silva, fisioterapeuta e especialista em Gerontologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP explica que todos devem ter em mente que “queda” não significa “cair”, apenas: “Queda não é só quando vamos ao chão, é quando estamos numa superfície e vamos para uma inferior. Um desequilíbrio, que faz com que precisemos nos apoiar nos móveis, já é uma queda. Geralmente os idosos e até os familiares não sabem distinguir o que é uma queda e por isso não procuram nenhum tipo de atendimento”.
O tratamento após uma queda é demorado e pode interferir na independência do idoso, por isso a importância da prevenção, que pode ser orientada adequadamente por um fisioterapeuta ou gerontologista. “O geriatra tem um papel fundamental na identificação dos riscos de queda, pois eles são multifatoriais. Doenças cardíacas, pulmonares ou neurológicas, por exemplo, são algumas das possíveis causas. Sendo assim, um médico consegue observar esses fatores e encaminhar para a fisioterapia. O fisioterapeuta, por sua vez, atua desde a prevenção, que se dá por meio de identificação precoce do risco de queda e, em seguida, passa a trabalhar as adequações do espaço físico em que o idoso vive e nos aspectos comportamentais, com a prescrição de exercícios físicos personalizados”, explica a especialista.
A adequação do ambiente doméstico pode ser feita por meio da instalação de iluminação adequada, retirada de tapetes e uso de barras nos banheiros e de corrimões nas escadas, por exemplo. Para a prevenção de quedas fora de casa recomenda-se verificar se o idoso está usando sapatos adequados, se há algum desnivelamento nas calçadas e se há a necessidade do uso de algum dispositivo de marcha, como uma bengala.
Além disso, “é necessário observar como o idoso anda, levanta e se apresenta indícios de problemas cognitivos, como falta de atenção”, conta a fisioterapeuta.
Confira algumas dicas que podem
evitar este problema:
No quarto
- Coloque lâmpada/lanterna e
telefone perto da cama;
- Os armários devem ter portas
leves e maçanetas grandes para facilitar a abertura, assim como iluminação
interna para ajudar na visualização dos pertences;
- Dentro do armário, arrume as
roupas em lugares de fácil acesso, evitando os locais mais altos;
- Substitua lençóis e acolchoado
por produtos feitos por materiais não escorregadios, como por exemplo, algodão
e lã;
- Não deixe o chão do quarto
bagunçado.
Na sala e corredor
- Organize os móveis de maneira
que tenha um caminho livre para passar;
- Instale interruptores de luz na
entrada das dependências para que não seja necessário andar no escuro;
- Mantenha fios de telefone,
elétricos e de ampliação fora das áreas de trânsito; nunca debaixo de tapetes;
- Nas áreas livres, coloque
tapetes com as duas faces adesivas ou com a parte debaixo não deslizante;
- Não sente em cadeira ou sofás
baixos, porque o grau de dificuldade exigido para se levantar é maior. Além
disso, estes devem ser confortáveis e com braços;
- Remova peitoril de porta maior
que 1,3 m.
Na cozinha
- Remova os tapetes que promovem
escorregões;
- Limpe imediatamente qualquer
líquido, gordura ou comida que tenham sido derrubados no chão;
- Armazene a comida, a louça e
demais acessórios culinários em locais de fácil alcance;
- As estantes devem estar bem
presas à parede e ao chão para permitir o apoio quando necessário;
- Não suba em cadeiras ou caixas
para alcançar os armários que estão no alto;
- A bancada da pia deve ter de 80
a 90 cm do chão para permitir uma posição mais confortável ao se trabalhar.
Na escada
- Interruptores de luz devem
estar instalados tanto na parte inferior quanto na parte superior da escada.
Outra opção é instalar detectores de movimento que podem fornecer iluminação
automaticamente;
- A escada deve estar iluminada
do princípio até o fim;
- Mantenha uma lanterna guardada
em algum lugar próximo, em caso de apagão;
- Remova os tapetes que estejam
no início ou fim da escada;
- No caso de carpete fixo,
selecione aquele que tenha cor sólida (sem desenhos ou muitas formas) para que
seja possível visualizar claramente as bordas dos degraus;
- Coloque tiras adesivas
antiderrapantes em cada borda dos degraus;
- Instale corrimões por toda a
extensão da escada, em ambos os lados. Eles devem estar em uma altura de 76 cm
acima dos degraus.
No banheiro
- Coloque um tapete
antiderrapante ao lado da banheira ou do box para sua segurança na entrada e
saída;
- Use tiras antiderrapantes
dentro da banheira ou no chão do box;
- Instale barras de apoio nas
paredes do banheiro;
- Duchas móveis são mais
adequadas;
- Mantenha algum tipo de
iluminação durante a noite;
- Substitua as paredes de vidro
do box por um material não deslizante;
- Ao tomar banho, utilize uma cadeira
de plástico firme com cerca de 40 cm, caso não consiga se abaixar até o chão ou
se sinta instável.
Outras recomendações
Além dos cuidados com o
ambiente, também é preciso estar atento às condições de saúde da pessoa idosa,
vestimentas e demais fatores.
- Faça exames oftalmológicos e
físicos anualmente, em específico para detectar a existência de problemas
cardíacos e de pressão arterial;
- Mantenha na dieta uma ingestão
adequada de cálcio e vitamina D;
- Tome banhos de sol diariamente;
- Participe de programas de
atividade física que visem o desenvolvimento de agilidade, força, equilíbrio,
coordenação e ganho de força do quadríceps e mobilidade do tornozelo;
- Use sapatos com sola
antiderrapante;
- Amarre o cadarço do calçado de
forma firme e segura;
- Substitua os chinelos que estão
deformados ou muito frouxos;
- Use uma calçadeira ou sente-se
para colocar o sapato;
- Evite sapatos com salto ou com
sola lisa;
- Evite ingestão excessiva de
bebidas alcoólicas;
- Mantenha uma lista atualizada
de todos os medicamentos que está tomando ou que costuma tomar, e dê para os
médicos com quem faz consulta;
- Informe-se com seu médico sobre
os efeitos colaterais dos remédios que está tomando;
- Certifique-se de que todos os
medicamentos estejam claramente rotulados e guardados em um único local;
- Tome os medicamentos nos horários corretos e da forma orientada pelo médico.
Saiba mais no link abaixo com a entrevista realizada em 2019 pela rádio
da USP com a fisioterapeuta Poliana Silva.
https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2019/06/RISCO-QUEDA-IDOSOS.mp3
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/ - https://jornal.usp.br/
- https://www.gov.br/ - imagem: https://br.freepik.com/
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