Estudos mostram os impactos benéficos da meditação de atenção plena (mindfulness) na saúde psicológica e física

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Bem estar

O que a meditação pode fazer pela sua saúde?

Numa comunidade vulnerável por conta da violência e da pobreza, além de problemas como o alcoolismo e o uso de drogas, a pesquisadora norte-americana Marilyn Kay realizou um estudo onde usou técnicas de meditação no tratamento contra dores de cabeça.

O estudo foi apresentado por ela em 2018 no 1º Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Complementares e Saúde Pública (INTERCONGREPICS) no Rio de Janeiro (RJ), promovido pelo Ministério da Saúde.

A pesquisadora norte-americana que estuda o uso da meditação mindfulness numa comunidade carente de Fortaleza, no Ceará, identificou um grupo de pessoas, especialmente mulheres, que sofriam com fortes e constantes dores de cabeça, por diversos motivos.

“Nós tivemos um impacto positivo com a prática diária da meditação mindfulness, como menos dores de cabeça, mais controle sobre os sintomas e mais qualidade de vida depois das sessões”, conta Kay, que fez o estudo para mostrar os benefícios desses exercícios mentais como um tratamento complementar à cefaleia crônica.

Em português, mindfulness significa atenção plena, que é o estado mental alcançado por meio de técnicas de meditação. Esse conjunto de técnicas passou a ser estudado desde a década de 70 e, nos últimos anos, diversas pesquisas científicas vêm comprovando que a meditação pode trazer muitos benefícios para a saúde de uma pessoa. E das diferentes formas de meditação, a de atenção plena (mindfulness) foi o tipo da prática mais associado a benefícios à saúde. Um destes estudos realizado na Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos e publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), mostrou que a meditação de atenção plena pode ajudar no tratamento de uma série de doenças, como transtornos mentais, insônia, diabetes, câncer e fibromialgia, problema que causa dores musculares crônicas.

“A nossa pesquisa mostrou, que a prática parece aliviar os sintomas da ansiedade e depressão tanto quanto os antidepressivos em outros estudos”, diz Madhav Goyal, professor da Universidade Johns Hopkins e coordenador do trabalho. Segundo o estudo, meditar 30 minutos todos os dias ajuda a aliviar sintomas da ansiedade, depressão e dores crônicas.

Meditação e imunidade

No artigo “Como o treinamento da meditação mindfulness pode impulsionar seu sistema imunológico” o Dr. Leonard Calabrese do Cleveland Clinic Main Campus, em Cleveland, EUA, afirma que a meditação ajuda nossa imunidade e explica que acredita nisso pelo fato de que nosso cérebro está intimamente conectado a todos os órgãos do corpo, especialmente o sistema imunológico.

“Por exemplo, muitas vezes nossos pensamentos se manifestam em outros sistemas orgânicos, como quando temos aquela sensação desagradável no estômago de que algo ruim está para acontecer. Este estresse afeta o sistema imunológico, o que pode levar a um aumento da inflamação corporal que aumenta nossa propensão a inúmeras doenças e nos deixa vulneráveis ​​a infecções comuns” explica Calabrese . “Sabemos sobre o poder da dieta e dos exercícios em nosso esforço para treinar e manter nosso sistema imunológico . Mas há algo que considero um modificador ainda mais poderoso da saúde imunológica: alcançar uma saúde mental e espiritual ideal”, conclui.

A meditação é um caminho que propicia mais tranquilidade e qualidade de vida e tem efeitos práticos sobre a saúde ao fazer com que as pessoas tenham um maior autocuidado,  melhorem seus hábitos de vida, além de as tornarem mais compassivas, menos reativas e consequentemente, menos estressadas.

Mudança para hábitos saudáveis

A equipe do Dr. Eric Loucks, diretor do Mindfulness Center da Brown University em Providence, Rhode Island (EUA) criou um programa de meditação de atenção plena de oito semanas para pessoas com pressão alta. Eles estudaram se o programa aumentava a consciência dos participantes sobre seus hábitos. Isso incluía como eles comiam. O estudo descobriu que os participantes escolheram uma dieta mais saudável após fazer o curso.

“Prestar mais atenção ao seu corpo pode ajudá-lo a perceber os sinais de que está satisfeito e a desfrutar melhor da comida, o que pode ajudar a reduzir a compulsão alimentar e a alimentação emocional. Essa consciência corporal parece ser uma parte de como a atenção plena ajuda as pessoas a adotar hábitos mais saudáveis. Se você acabou de comer um donut de geléia, é mais provável que note um desagradável choque de açúcar. Lembrar-se disso pode ajudá-lo a fazer melhores escolhas alimentares no futuro”, explica Dr. Loucks.

Aprendendo a estar atento

Assim como qualquer habilidade, a atenção plena requer prática e exige tempo e dedicação. O importante na prática da meditação de atenção plena é a disciplina de praticar todos os dias. Tornar a meditação um hábito como nossos hábitos de higiene de tomar banho, escovar os dentes etc. 

O ideal é você ter um instrutor de meditação mindfulness que possa te orientar, mas você pode começar com a orientação a seguir.

São dois os tipos de prática de meditação de plena atenção. A prática formal consiste em sentar numa posição confortável com a coluna ereta e prestar atenção na respiração e nas sensações corporais, não seguindo pensamentos ou sentimentos e trazendo atenção de volta para respiração e sensações corporais sempre que se distrair.

A outra forma é a prática informal, que é voltada para o cotidiano. Em nossas atividades, procuramos estar atentos ao que estamos fazendo a cada momento. Por exemplo, se você está caminhando volte a atenção para seus passos, se estiver escutando música, prestar atenção somente na música. Ao lavar louça, varrer a casa, cuidar do jardim procure estar focado no que está fazendo. Desta forma, em qualquer situação da vida cotidiana você pode praticar a atenção plena.

Então, vamos praticar?

fontes: 
https://www.unasus.gov.br

https://newsinhealth.nih.gov/

https://aps.saude.gov.br/

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