Não se trata apenas de dados: a intuição desempenha um papel fundamental na tomada de decisões sobre vacinas.

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Por que tantas pessoas não se vacinam contra a gripe?

Autoridades de saúde pública geralmente tentam incentivar as pessoas a se vacinarem compartilhando informações como estatísticas sobre a eficácia da vacina, dados sobre efeitos colaterais e cálculos de risco. Mas uma nova pesquisa da Universidade Cornell sugere que essa abordagem ignora um elemento crucial sobre como as pessoas tomam decisões relacionadas à saúde.

A professora de psicologia Valerie Reyna e sua equipe descobriram que as decisões das pessoas sobre a vacinação não são motivadas principalmente pela análise de fatos e números. Em vez disso, elas se baseiam no que os pesquisadores chamam de "essência" — o sentimento ou a intuição que têm sobre a vacinação.

"Tomamos decisões com base na essência das informações: a que se resumem todas essas informações? Qual é o verdadeiro objetivo da decisão?", disse Reyna, professora titular da Cátedra Lois e Melvin Tukman de Desenvolvimento Humano no Departamento de Psicologia da Cornell Human Ecology. "Se soubermos a essência de como alguém se sente em relação a essas ideias, podemos explicar e prever suas intenções com relação à vacinação."

A equipe de Reyna testou essa teoria em um estudo recente com mais de 900 pessoas. Os participantes responderam a perguntas sobre seus hábitos de vacinação contra a gripe, seu conhecimento sobre a vacina e suas percepções quanto aos riscos e benefícios dela.

Os resultados foram impressionantes. Entre os adultos mais jovens, o conhecimento sobre a vacina e a acessibilidade a ela explicavam 14% da variação na intenção de se vacinar. No entanto, quando os pesquisadores incluíram perguntas sobre a compreensão da essência — ou seja, as impressões gerais dos participantes sobre riscos e benefícios —, esse número saltou para 58%. Na amostra da comunidade, levar em conta essa compreensão da essência aumentou a probabilidade de vacinação de 57% para 80%.

As descobertas revelam que pessoas que classificam os benefícios da vacina como "nenhum" ou "baixo", ou os riscos como "médios" ou "altos", tendem a não se vacinar, independentemente da quantidade de informações factuais que possuem. Esses julgamentos simples e qualitativos mostraram-se muito mais poderosos do que o conhecimento detalhado na previsão do comportamento.

"Uma parte da nossa mente analisa detalhes e fatos precisos, mas a outra parte observa a essência qualitativa — a conclusão geral —, e essa é a parte que mais determina as decisões", explicou Reyna. "As pessoas formam uma impressão global do que lhes é dito e do que vivenciam; por exemplo: 'De modo geral, acho que os benefícios da vacinação são altos e os riscos são nulos'. Essa seria a essência da percepção para quem decide se vacinar, e foi isso que demonstramos."

Tornando as ações de divulgação em saúde pública mais eficazes.

Esta pesquisa ajuda a explicar por que as campanhas tradicionais de saúde pública muitas vezes não atingem seus objetivos. Simplesmente fornecer mais estatísticas ou listar fatos não necessariamente muda a impressão instintiva de alguém sobre se a vacinação vale a pena.

Então, o que os profissionais de comunicação em saúde devem fazer de diferente? Reyna sugere focar em uma comunicação contínua que ajude as pessoas a desenvolverem uma compreensão essencial e correta. Em vez de sobrecarregar as pessoas com dados, os profissionais devem contextualizar os fatos e explicar como os riscos e benefícios das vacinas se conectam aos valores fundamentais das pessoas, como proteger familiares e vizinhos ou fazer escolhas informadas sobre a própria saúde.

"Se você seguir essa receita, terá muito mais chances de fazer a diferença na vida das pessoas, de acordo com nossa pesquisa", disse Reyna. "Você precisa adotar a abordagem correta, e ela é fundamentalmente diferente do que estamos fazendo atualmente."

A mensagem principal: As pessoas tomam decisões sobre vacinação com base mais em impressões intuitivas do que em análises factuais. Para aumentar as taxas de vacinação, os profissionais de comunicação em saúde devem ajudar as pessoas a compreenderem a essência da questão, conectando as informações sobre vacinas aos seus valores fundamentais e fornecendo uma comunicação contextualizada, em vez de simplesmente listar estatísticas.

 

Fonte: https://www.psychologytoday.com/ -  imagem: https://www.magnific.com

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