Substâncias utilizadas para tingir tecidos que trazem riscos para grávidas, recém-nascidos e crianças, foram encontradas em mais da metade de roupas no Brasil.

Tecidos sintéticos de cor rosa apresentaram as maiores concentrações de aminas aromáticas.

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Bem estar

Corantes de roupas podem causar danos à saúde

Pesquisadores brasileiros e espanhóis encontraram taxas elevadas de aminas aromáticas (AAs) em mais da metade das roupas destinadas a vestuário de grávidas, recém-nascidos e crianças de até 3 anos de idade comercializadas no Brasil (55%).

As aminas são substâncias presentes em corantes que podem causar danos à saúde. Em longo prazo e em situações de exposição crônica, essas substâncias aumentam os riscos de desenvolvimento de câncer, principalmente o de bexiga, e podem causar outros riscos à saúde, incluindo alergias na pele, dermatites, um distúrbio sanguíneo chamado metemoglobinemia e hemólise aguda (destruição de glóbulos vermelhos).

A escolha das roupas de grávidas, bebês e crianças se justifica, segundo os pesquisadores, pela vulnerabilidade, já que esses grupos são mais propensos a efeitos adversos após exposição às substâncias químicas.

A pesquisa, publicada na Environmental Research, é resultado do pós-doutorado de Marília Cristina de Oliveira Souza junto ao Laboratório de Toxicologia Analítica e de Sistemas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP.

Aminas aromáticas, ensina Marília Oliveira, são compostos químicos orgânicos que apresentam ampla distribuição ambiental e podem causar danos potenciais à saúde humana. A pesquisadora explica que nas roupas, através do contato com as bactérias presentes na pele, os corantes compostos pelas AAs podem ser degradados ou decompostos nas chamadas aminas primárias, que são absorvidas pela pele em uma proporção significativa.

O estudo observou que, comparativamente, o Brasil apresenta maiores cargas de AAs em produtos têxteis que a Espanha; fato que, adverte a pesquisadora, pode estar relacionado com a ausência de regulamentação dessas substâncias no País.

Ouça a entrevista completa com a pesquisadora Marília Cristina de Oliveira Souza realizada pela rádio USP no link abaixo:

https://jornal.usp.br/wp-content/uploads/2023/07/AMINAS-AROMATICAS-EDUARDO-NAZARE-445.mp3

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