Psiquiatra aponta os benefícios para a saúde de uma boa risada.

"> Sorria: a sua saúde agradece | O plano global de saúde da sua família

Bem estar

Sorria: a sua saúde agradece

Em seu livro recém-publicado “Rir é Preciso”, Daniel Martins de Barros mostra a importância do riso e a ciência por trás do humor. “O riso é um fenômeno físico, com origem neurológica e manifestação corporal”, define o professor da Faculdade de Medicina (FM) da USP.

No livro, Barros recomenda que as pessoas tomem consciência da importância do humor em seu dia a dia para o aliviar o estresse, amenizar emoções negativas, nos levar a criar distanciamento das experiências dolorosas imediatas e fortalecer relações humanas.

O poder do sorriso não é necessariamente transitório. A risada não é uma solução mágica, mas aponta para a realidade que está além das circunstâncias imediatas. Ele não é capaz de nos fazer esquecer definitivamente da morte de um ente querido, por exemplo, tampouco de impedi-la, mas pode superar o sofrimento que a morte causou. Para confirmar sua tese, cita um estudo feito com viúvas por pesquisadores da Universidade da Columbia, em Nova York, e da Universidade da Califórnia, ambas nos Estados Unidos. Aquelas que foram capazes de dar risos emocionais e verdadeiros, sentiam menos raiva, menos angústia e mais emoções positivas e ainda mantinham relacionamentos melhores com outras pessoas.

Necessidade de humor

Barros afirma que o humor é uma necessidade porque ele possibilita reduzir a dor da alma, mesmo que por breve momento; também é um instrumento de autopreservação, de comunicação e de criação de vínculos. Um testemunho famoso sobre o uso do humor como forma de autopreservação nos campos de concentração vem do médico Viktor Emil Frankl, neurologista e psiquiatra, prisioneiro de 1942 a 1945, período em perdeu o pai, a mãe e a esposa. Uma das ferramentas essenciais para Frankl lidar com esse terrível momento foi o humor. Ele contava que estimulava os outros que estavam junto com ele a ter a mesma postura. Ele os desafiava a pensar todos os dias em algo engraçado que aconteceria depois que fossem libertados.

Saindo da pandemia

A pandemia foi um período de grande estresse para todo mundo – claro que mais para uns do que para outros – mas todos foram afetados de alguma forma. Esse estresse representa, sim, um risco à saúde mental, já que se trata de um desgaste emocional importante. Felizmente não houve o tsunami de transtornos mentais que se chegou a prenunciar, mas a questão ganhou importância e talvez hoje mais gente esteja atenta e buscando tratamento. As eleições foram outro golpe, em parte por conta da polarização, que estimula a raiva, e em parte por conta do terrorismo de parte a parte, que estimula o medo. O que vemos, portanto, são pessoas mais estressadas, cansadas, com mais emoções negativas, mas não necessariamente mais doentes.

Em ambos os contextos o humor pode ser uma ferramenta para lidar com a situação imediata e para reconstrução posterior. Rir durante um problema não precisa ser desrespeitoso – desde que não tripudiemos do sofrimento em si, muitas situações adversas podem ser amenizadas pelo humor. Intuitivamente nós já fazemos isso, como quando num velório contamos casos divertidos que tivemos com a pessoa falecida ou como muitas vezes contornamos uma conversa política mais tensa encontrando pontos que façam nossos interlocutores rirem conosco.

Fonte: https://jornal.usp.br/   -  imagem: https://br.freepik.com/


Voltar para listagem